Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descança, vê o horizonte deitar no chão..
Pra acalmar o coração, lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá..
AUSENTE
Rapidamente, Cléo olhou o relógio e, sem notar, havia perdido o celular, enquanto corria para o ponto de ônibus. Naquela noite, o céu parecia agitado. As trovoadas assustaram a menina de pele morena, cuja face sentia os primeiros pingos da chuva. A torrencial começara. Chegando à parada de ônibus, sentou-se aliviada e um tanto irritada por não haver nenhuma parte de sua roupa capaz de secá-la, antes de tomar o ônibus. Não tendo saída, senão esperar, Cléo iniciou um processo de recordação do belíssimo dia que tivera.
Percebeu que pela manhã não cumprimentara os colegas como deveria. Que, ao sair às pressas pelo corredor, esbarrou em uma mesa que ostentava uma máquina de escrever antiquíssima, cuja coordenadora, exibia orgulhosa como prêmio, desde a época em que ingressara no mundo dos negócios. Notou também que, perto das 15h, nem sequer parou para fazer o seu lanche e conversar com as amigas para se descontrair, se relacionar, ganhar intimidade, fazer amizades. Ao pensar no pouco relacionamento que estabelecera com as colegas, assentiu com a cabeça e culpou-se por tal comportamento. Cléo arrependeu-se por não ter compartilhado seus afazeres , suas idéias e opiniões com aquelas mulheres que encontravam-se todos os dias ao lado de sua sala para tomar café e contar suas histórias domésticas, umas às outras, incluindo troca de receitas e piadas, que por mais que tentassem se fazerem engraçadas, não conseguiam, mas por alguma razão ilógica o riso sempre acabava solto.
De repente, um baque. A água que escoava pelo bueiro acabara de encharcá-la, dando o sinal de que o ônibus havia passado, freneticamente, pelo lugar.
Atônita pelo susto, começou a rir, descontroladamente, e percebeu que a vida era muito mais do que a sua ausência contida em um mundo real, a qual pertencia, mas que não se fazia notar. Levantando-se com um sorriso largo no rosto, percorreu a longa avenida observando os lugares por onde passava, até enfim, chegar a casa.
Atônita pelo susto, começou a rir, descontroladamente, e percebeu que a vida era muito mais do que a sua ausência contida em um mundo real, a qual pertencia, mas que não se fazia notar. Levantando-se com um sorriso largo no rosto, percorreu a longa avenida observando os lugares por onde passava, até enfim, chegar a casa.
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CLEMENTINE
KRUSCINSKI

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